sábado, 17 de novembro de 2012

Amar também é ajudar


Dar e receber faz parte de qualquer relacionamento. É natural do ser humano a alegria de ofertar algo, desde a mais tenra idade à mais avançada. É prazeroso fazê-lo. Mas este hábito, que não permite cobranças, exige retribuição. A felicidade de proporcionar o bem não envelhece, mas se for mal entendida, ou não retribuída, pode cansar. Há, entretanto, hábitos de nossa sociedade, que induzem a mais valorizar as coisas do que seu significado. Por acaso não é assim que se encara, às vezes, um presente de natal ou de aniversário?

Criou-se tal tipo de expectativa, que o gesto de presentear perde valor. Porque não nos presentearmos sempre? Com atitudes, que às vezes valem mais que mil presentes? Com palavras, que podem ajudar muito mais que algo material? Porque esperar por dias específicos? Será que é nestes dias que cada um mais necessita de atenção e carinho? E porque as pessoas têm tanta dificuldade em receber? Porque se constrangem ao tentar demonstrar a alegria e a gratidão que lhes toma conta?

Quem dá com amor, um presente valioso ou apenas um gesto ou um elogio sincero, sente-se recompensado quando percebe que aquilo foi recebido com o mesmo espírito. Assim como ouvir é parte muito grande da arte de se comunicar, receber com alegria, com sensibilidade, com vibração, é uma forma de dar também. Não basta pensar em “como devo fazer”? Não basta ser comum, no “obrigado” ou no “fiquei feliz”. É preciso demonstrar isso, em suas feições, em suas reações, em seu todo.

Aprendemos que o amor só é amor quando dado sem cobranças. Mas bem sabemos que ao dar geramos em nós mesmos a expectativa de receber. Amar é compartilhar o que temos, seja carinho, conhecimento, descobertas, crescimento, mas, acima de tudo, tentar estabelecer um equilíbrio nas concessões feitas, que nos conduza a permanecer juntos. Cada ato isolado, onde e quando acontecer, que carregue bondade, compreensão, entendimento e apoio, irá contagiar de alegria quem o percebe, transmitindo generosidade, e ajudando a educar para o amor verdadeiro.

Ser positivo, manter esperanças, acreditar, é uma forma de buscar e obter inspiração, que só ajuda todos a saírem de si mesmos. E é preciso vencer as desconfianças natas. Nem todos recebem com naturalidade aquilo que lhe ofertamos. Pessoas suspeitam do que julgam não merecer. Como se aceitar as comprometesse. Alguns vivem constantemente em guarda, em uma sociedade em que desprendimento e generosidade não são o mais comum. Negar-se a receber é uma postura de defesa. É preciso saber superar a rejeição, contornar o ceticismo, tentando mostrar que o amor é algo gratuito, ainda que extremamente valioso.


Ajudar é uma das coisas mais recompensadoras. Quem ajuda, é ajudado a ajudar mais. Mas é preciso educar através da ajuda. No amor, como nas demais coisas da vida, só ajudar pode levar a estabelecer fardos a carregar. Não basta fazer, cada um, a sua parte. Há que se indicar caminhos, mostrar soluções, abrir frentes, para que cada um aprenda a caminhar com as próprias pernas. Sempre existirão necessidades. A visão de dar não deve ser estreita. Um olhar atento, uma orientação, umas poucas palavras, podem ajudar mais que muito dinheiro.


O importante não é ser visível na ajuda, mas que os seus resultados possam ser notados. Ouvir quem necessita desabafar pode significar uma ajuda inestimável. Demonstrar compreensão, auxiliar com postura paciente, não prejulgar, colocar seu tempo à disposição de quem necessita de sua presença, são formas inequívocas de comprovar amor. E o amor assim o é, quando dado, quando demonstrado em atos de carinho. Sem isso, não passará de uma mera concepção abstrata, uma palavra apenas, cuja pronúncia perderá seu real significado

 

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