Dar e receber faz parte de qualquer relacionamento. É natural do ser
humano a alegria de ofertar algo, desde a mais tenra idade à mais avançada. É
prazeroso fazê-lo. Mas este hábito, que não permite cobranças, exige retribuição.
A felicidade de proporcionar o bem não envelhece, mas se for mal entendida, ou
não retribuída, pode cansar. Há, entretanto, hábitos de nossa sociedade, que
induzem a mais valorizar as coisas do que seu significado. Por acaso não é
assim que se encara, às vezes, um presente de natal ou de aniversário?
Criou-se tal tipo de expectativa, que o gesto de presentear perde valor.
Porque não nos presentearmos sempre? Com atitudes, que às vezes valem mais que
mil presentes? Com palavras, que podem ajudar muito mais que algo material?
Porque esperar por dias específicos? Será que é nestes dias que cada um mais
necessita de atenção e carinho? E porque as pessoas têm tanta dificuldade em
receber? Porque se constrangem ao tentar demonstrar a alegria e a gratidão que
lhes toma conta?
Quem dá com amor, um presente valioso ou apenas um gesto ou um elogio
sincero, sente-se recompensado quando percebe que aquilo foi recebido com o
mesmo espírito. Assim como ouvir é parte muito grande da arte de se comunicar,
receber com alegria, com sensibilidade, com vibração, é uma forma de dar
também. Não basta pensar em “como devo fazer”? Não basta ser comum, no
“obrigado” ou no “fiquei feliz”. É preciso demonstrar isso, em suas feições, em
suas reações, em seu todo.
Aprendemos que o amor só é amor quando dado sem cobranças. Mas bem
sabemos que ao dar geramos em nós mesmos a expectativa de receber. Amar é
compartilhar o que temos, seja carinho, conhecimento, descobertas, crescimento,
mas, acima de tudo, tentar estabelecer um equilíbrio nas concessões feitas, que
nos conduza a permanecer juntos. Cada ato isolado, onde e quando acontecer, que
carregue bondade, compreensão, entendimento e apoio, irá contagiar de alegria
quem o percebe, transmitindo generosidade, e ajudando a educar para o amor
verdadeiro.
Ser positivo, manter esperanças, acreditar, é uma forma de buscar e obter
inspiração, que só ajuda todos a saírem de si mesmos. E é preciso vencer as
desconfianças natas. Nem todos recebem com naturalidade aquilo que lhe
ofertamos. Pessoas suspeitam do que julgam não merecer. Como se aceitar as
comprometesse. Alguns vivem constantemente em guarda, em uma sociedade em que
desprendimento e generosidade não são o mais comum. Negar-se a receber é uma
postura de defesa. É preciso saber superar a rejeição, contornar o ceticismo,
tentando mostrar que o amor é algo gratuito, ainda que extremamente valioso.
Ajudar é uma das coisas mais recompensadoras. Quem ajuda, é ajudado a
ajudar mais. Mas é preciso educar através da ajuda. No amor, como nas demais
coisas da vida, só ajudar pode levar a estabelecer fardos a carregar. Não basta
fazer, cada um, a sua parte. Há que se indicar caminhos, mostrar soluções,
abrir frentes, para que cada um aprenda a caminhar com as próprias pernas.
Sempre existirão necessidades. A visão de dar não deve ser estreita. Um olhar
atento, uma orientação, umas poucas palavras, podem ajudar mais que muito dinheiro.
O importante não é ser visível na ajuda, mas que os seus resultados
possam ser notados. Ouvir quem necessita desabafar pode significar uma ajuda
inestimável. Demonstrar compreensão, auxiliar com postura paciente, não
prejulgar, colocar seu tempo à disposição de quem necessita de sua presença,
são formas inequívocas de comprovar amor. E o amor assim o é, quando dado,
quando demonstrado em atos de carinho. Sem isso, não passará de uma mera
concepção abstrata, uma palavra apenas, cuja pronúncia perderá seu real
significado
Nenhum comentário:
Postar um comentário