Sou muito aquilo que não pedi,
fruto de lutas que não vivi,
buscando ver tudo que não vi,
viver o amor que eu não perdi!
Sou um amigo sempre por perto,
calado ouço quem vem a mim.
Já pensei muito, não sei o certo,
sei o que vejo, não sei o fim!
Sou o que posso, não o que quero,
a vida é ingrata, louca a passar,
o tempo é curto para o que espero,
meus olhos pouco pra tudo olhar!
Sou companheiro, faço o possível,
me jogo em tudo, luto com alma.
Dizem que sonho, busco o intangível,
mas não me abalo, mantenho a calma!
Sou soma e subtração de forças e fraquezas,
menino cuja infância é viva e nunca morre.
Um pouco de alegrias. pouco tristezas,
vividas no caminho que percorre!
Sou fraco por dentro, forte por fora,
com sorriso franco, e choro calado.
Preparo o amanhã no que vivo agora,
sarei as feridas, deixei o passado!
Sou dono inarredável, da esperança de buscar,
lutador obstinado, pelo direito de sonhar.`
Precocemente vivido, por cedo muito lutar,
carente na expectativa, de morrer e pouco amar!
Sou quem irá te amparar, se tiveres que sofrer,
aquele que sorrirá, em teu motivo de vibrar.
Sou quem acalentará, suave, teu adormecer,
aquele que adormecerá, depois de te amar!
Sou herói e vilão de um romance sem fim,
sendo pequeno e grande, comum e original.
Não me assusta o trovão, se está em mim,
ainda serei gigante, neste mundo marginal!
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Lembranças
(de autor desconhecido)
“Eu havia esquecido. Juro que havia esquecido. Você não estava mais presente em minhas lembranças. Nem mesmo em um esforço maior conseguiria trazer de volta este pedaço de nosso passado. Mas hoje, ao folhar o velho caderno de notas, onde amigos e colegas escreviam, assim, de modo um tanto pueril, dedicatórias, versos ou frases soltas, encontrei uma pétala de rosa. Aquela que você me dera como lembrança do dia em que nossas mãos se tocaram vez primeira, em furtivo gesto adolescente. E, olhos nos olhos, como a declarar o amor que ainda não conheciamos, a arrancou da rosa que eu lhe ofertara, e – depois de beijá-la – a depositou entre as folhas de meu caderno. Caderno que fechei, enlevado e momentaneamente apaixonado, como que a explodir por dentro, fruto do sentimento correspondido.
Eu havia esquecido. Juro que havia esquecido. Nem mesmo um pedacinho de você me vinha às lembranças que carreguei de minha infância pela vida afora. Mas ali, tantos anos depois, naquela pétala de rosa, seca pelo tempo, entre as páginas do velho caderno, você voltou. Forte, imagens muito vivas, cores, e emoções. E lembrei você, blusa branca, saia azul plissada, balançando ao vento suave que soprava, sapatos negros, com meias brancas que cobriam suas pernas até os joelhos. E, esperando por mim, parada à porta da escola, me disse amuada: - Você demorou. Pensei que não viesse mais!
Dias lindos! Dias de sonhos, dias de coração disparando a cada vez que nos falávamos. Dias que passaram, e que o tempo foi diluindo em esparsas recordações. Recordações que estavam enterradas nas profundezas de meu ser. Mas que, hoje, ao abrir o velho caderno, voltaram cheias de vida, e tomaram conta de mim. Trazidas por... apenas uma pétala de rosa.”
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Eu, Ave
(escrito em 1975)
Nasci com asas, as fiz crescer. Vivi a vida sem aprender!
Fugi da guerra, busquei a paz. Sai da terra, tornei-me audaz!
Subi nos ventos até as alturas, olhei de cima só vi agruras.
Andei na chuva, corri no sol, cai das nuvens, sofri no frio.
Mas vôo sempre, pra não fazer, de minha vida um mal querer!
De olhos firmes, encaro a luz. De peito aberto, choro a sorrir.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu viver!
Se penso alto, encaro a vida, apenas busco o que há de vir!
Em águas vivas servi de anzol. Fisguei a pólvora de um paiol.
Fui explosivo, mas vida ensina, tornei-me águia, ave de rapina.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu olhar.
Se luto muito, se tento sempre, é porque tenho muito pra dar!
Me sinto leve, plano no ar. Sou qual gaivota, vivo a sonhar!
Não fique triste, não tenha ciúmes, não tenha medo de meu flanar.
Se deixo a brisa a me levar, é porque tento saber amar.
Andei, sonhei, eu ia e vinha. Um dia acordei, era andorinha.
Por vezes frágil, nos desamores, perdi altura, profundas dores!
Me olhei por dentro, coragem vi. Forte e tranquilo me descobri.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu voar.
Eu, simplesmente, pensei poder, viver a vida a bem querer!
Um dia cheguei, voltei pra cá. Pousei solene! Virei sabiá.
Homem, menino, lúcido, ativo, busquei da vida não ser cativo.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu cantar!
Eu, tristemente, pensei tentar, com meu amor te reanimar!
Me vendo inútil fujo daqui. Buscarei flores, sou colibrí.
Vou para longe, não me verás. Mas olha em volta, me encontrarás!
,Em cada amigo, em cada esquina, ficará parte de minha paz!
Nasci com asas, as fiz crescer. Vivi a vida sem aprender!
Fugi da guerra, busquei a paz. Sai da terra, tornei-me audaz!
Subi nos ventos até as alturas, olhei de cima só vi agruras.
Andei na chuva, corri no sol, cai das nuvens, sofri no frio.
Mas vôo sempre, pra não fazer, de minha vida um mal querer!
De olhos firmes, encaro a luz. De peito aberto, choro a sorrir.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu viver!
Se penso alto, encaro a vida, apenas busco o que há de vir!
Em águas vivas servi de anzol. Fisguei a pólvora de um paiol.
Fui explosivo, mas vida ensina, tornei-me águia, ave de rapina.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu olhar.
Se luto muito, se tento sempre, é porque tenho muito pra dar!
Me sinto leve, plano no ar. Sou qual gaivota, vivo a sonhar!
Não fique triste, não tenha ciúmes, não tenha medo de meu flanar.
Se deixo a brisa a me levar, é porque tento saber amar.
Andei, sonhei, eu ia e vinha. Um dia acordei, era andorinha.
Por vezes frágil, nos desamores, perdi altura, profundas dores!
Me olhei por dentro, coragem vi. Forte e tranquilo me descobri.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu voar.
Eu, simplesmente, pensei poder, viver a vida a bem querer!
Um dia cheguei, voltei pra cá. Pousei solene! Virei sabiá.
Homem, menino, lúcido, ativo, busquei da vida não ser cativo.
Não fique triste, não tenha ciúmes, não sinta medo de meu cantar!
Eu, tristemente, pensei tentar, com meu amor te reanimar!
Me vendo inútil fujo daqui. Buscarei flores, sou colibrí.
Vou para longe, não me verás. Mas olha em volta, me encontrarás!
,Em cada amigo, em cada esquina, ficará parte de minha paz!
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Ana Luísa
Ana Luísa 03.12.2004
o que meu corpo precisa,
é qual alerta, que avisa,
muito te amar, Ana Luísa!
desse rosto de menina,
de teu sorriso maroto,
teu dorso que me fascina,
de teus seios em meu peito,
de teu sexo que me ensina,
minhas mãos em tuas curvas,
quando teu corpo se empina,
é tudo que mais desejo,
o que meu corpo precisa!
teu sono leve, largado,
depois de amar sem limites,
teu cabelo revirado,
nos gemidos que emites,
teu corpo tão bem amado,
cheirando ao amor recente,
transpirando devaneios,
se descobrindo, indecente,
é qual alerta que avisa!
e permaneço a te ver,
pensando outra vez te amar,
lutando para conter,
o instinto quase a gritar,
meus impulsos a reter,
coração forte a pulsar,
eu, todo, inteiro, a querer,
contigo me abraçar,
muito te amar, Ana Luísa!
Victor A. Cunha
o que meu corpo precisa,
é qual alerta, que avisa,
muito te amar, Ana Luísa!
desse rosto de menina,
de teu sorriso maroto,
teu dorso que me fascina,
de teus seios em meu peito,
de teu sexo que me ensina,
minhas mãos em tuas curvas,
quando teu corpo se empina,
é tudo que mais desejo,
o que meu corpo precisa!
teu sono leve, largado,
depois de amar sem limites,
teu cabelo revirado,
nos gemidos que emites,
teu corpo tão bem amado,
cheirando ao amor recente,
transpirando devaneios,
se descobrindo, indecente,
é qual alerta que avisa!
e permaneço a te ver,
pensando outra vez te amar,
lutando para conter,
o instinto quase a gritar,
meus impulsos a reter,
coração forte a pulsar,
eu, todo, inteiro, a querer,
contigo me abraçar,
muito te amar, Ana Luísa!
Victor A. Cunha
sábado, 13 de outubro de 2012
Amantes (escrito em 2002)
Me beija, me ama, me deixa, aninhar nesses teus seios.
Me aconchega em teu carinho, acaba com meus anseios!
Em teu colo sou pequeno, em teu corpo explorador,
Nas ondas de teus afagos, sou audaz navegador!
Sou menino no suspiro, estando em teu interior,
Em meio a ti sou vampiro, te mato - doce estertor!
Busco na vida que trazes, tudo que um dia já quiz.
Encontro no que me fazes, muito mais do que já fiz.
És brinquedo, solto, leve. Eu, algoz torturador.
Te derretes como neve, ao sentires meu amor!
És meiga, bruta, sensível, cavalgando meu arfar.
És mulher, total, temível, ao mostrares teu gozar!
Nestes minutos, momentos, nossas vidas nos consomem.
Me feres, doce, te atento. Tu és mulher, e eu teu homem!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Chuva (1984)
1984, Olinda, Pernambuco.
À ocasião, Rita, uma garota vinda do interior, ajudava a cuidar meus filhos, assim como um tipo de babá. Mas era nada mais que uma garota de 14 anos, que me via chegar à noite, jantar e sentar à mesa, Lettera 44 à frente, e ficar por um bom tempo a datilografar.
Um dia, sentou-se, os meninos já dormindo, e me perguntou o que eu fazia tanto naquela "coisa". Expliquei-lhe que escrevia, crônicas, poesias, coisas que me vinham à mente. E que o fazia desde meus 14 anos. Ela, então, retrucou: - Mas como é que se faz isso?
Custei um pouco a encontrar uma resposta, -Bem, disse-lhe, a gente precisa ter uma motivação, algo que desperte nosso interesse, algo que nos traga uma lembrança. É o que chamamos de inspiração.
Nesse exato momento começou a chover, e forte, diga-se. Como a garagem de minha casa tinha telhado de aluminio, o ruído era muito forte. Para falarmos tinhamos que levantar a voz.
Então, olhando-a, lhe falei: - Veja, não está chovendo? Pronto. Vou escrever algo sobre a chuva.
E, a seguir, está "Chuva", que nasceu naquela noite.
Chove...e a água que cai sobre o telhado, é fria como teus olhos,
que já não me amam.
Chove, e a luz do relâmpago, que corta as trevas, é como tua indiferença,
que retalha minha saudade.
Chove, e o rio que leva as águas para longe, é como teu destino,
que te afastou de mim.
Chove, e o vento que carrega a nuvem que se vai, tem a mesma força,
que já teve nosso amor.
Chove, e a chuva fina final de tempestade, é frágil e profunda,
como a lágrima que queimará teu rosto!
Hoje, Rita deve estar com mais de quarenta e poucos anos, e deve ser Mãe. Quem sabe me lê e revive um pouco dos dias passados em Olinda.
Encontros / Despedidas (escrito em 1969)
A mala aberta, ainda vazia, o peito tremendo, coração pulsando...
Tua partida chegando, no dia a dia.
E a saudade aumentando, sem chegar ainda!
Por trás da mala vazia, o eco do tédio que se forma,
as paredes enormes... o teto desabando.
Um dia chegaste como quem ia ficar,
Agora partes, como quem deveria permanecer.
Hoje és arrancado pouco a pouco de nossos dentes,
és apagado de nossos dedos, de nossos sentidos,
que apenas te adivinharam...
E, por um período, contiveram a vida de ter-te por perto.
Distraidos... nunca percebemos teu aconchego.
Vieste leve e livre, como chegam os pássaros, festejando o verão...
E, em torno de nós, e junto conosco, voaste,
sem ter mesmo nunca nos olhos a permanência.
Mas... nós não vimos....
tão enlevados e absortos estávamos com tua presença!
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