Poucos admitem que seja normal desejar estar só,
dispor de pequenos momentos de privacidade, meditar sobre nossas necessidades e
desejos, ou simplesmente divagar e sonhar um pouco. Somos impelidos a
“participar”, quando temos vitais circunstâncias em que deveríamos aprofundar
diálogos com nós mesmos. Ao descobrirmos, ao identificarmos nossos pontos
fortes e pontos fracos, estaríamos nos preparando melhor para encarar a busca
de um abrigo seguro. Não somos felizes sem os outros, mas não podemos depender
totalmente deles.Dispor de um espaço interior, só nosso, ajuda a não perdermos
nossa individualidade e a descobrir nossos limites de resistência. Faz parte de
nossa responsabilidade em nos tornarmos gente mais inteira, mais completa. Mais
que tudo, nos leva a tomar decisões e saber escolher, sem precisar sempre
incluir outra pessoa em nossas análises e opções. E, ao ganharmos esta
condição, aprendemos a lidar com a solidão com menos temores e mais
naturalidade. Aprendemos a gostar de nossa companhia.Temos que saber evitar nos
tornarmos vítimas de nossos medos, o que, se ocorrer, toma conta de nossas
vidas. A violência existe, e pode estar contida em palavras, em gestos, em
olhares, sem necessariamente se materializar em uma agressão física. Todo
momento trágico merece condenação, mas não pode nos impedir de desfrutar dos
prazeres da vida. Se desejarmos viver intensamente, devemos ter preparo para
enfrentar os riscos. Novas pessoas que conhecemos, inevitavelmente, são por nós
avaliadas pelo seu potencial de violência, e não da alegria ou prazer que
poderão nos proporcionar.Não podemos permitir que a confiança ceda lugar à
suspeita. Desta forma estaremos criando obstáculos a novas conquistas de
amizades, prendendo-nos às antigas. Temos que sair à rua, ainda que seja para
ver pessoas. O sentimento de estar só aumenta nossos temores, nos deixa a
impressão de estarmos desprotegidos, e, pior que isso, leva-nos ao isolamento.
Se convivermos mais com as pessoas, estas se tornarão também mais receptivas e
hospitaleiras.
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terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
Do melhorar o Amor
Porque não entender que chegou um momento mágico?
Não olhar para o companheiro com simpatia e ajudá-lo a se descobrir,
descobrindo-nos juntos em novas e intensas sensações do amor? Não é hora de
suspeitas, dúvidas ou rejeição. Afinal, o que buscam os casais que, mesmo se
amando, permitiram que o convívio fosse perdendo a emoção? Amor não é algo que
se possa ou deva medir pela segurança que inspira. Ao contrário, possui algo de
aventura, que ajuda a evitar as desventuras. É mais baseado nas descobertas
mútuas do que na predisposição a aceitar o passar dos tempos.Assim, quando um
dos dois tenta mudar e não encontra respaldo, a frustração tende a ser enorme e
a gerar um retorno à mediocridade e ao não romantismo. Ao perceber no outro a
falta de disposição, deixa de tornar-se um amante melhor, sem entender, ou sem
conseguir dialogar sobre os porquês existentes, que levam o outro a não ensejar
mudanças. E isto é, em parte, não querer aprender a amar. É carregar um certo
medo de esforçar-se e ter paciência para melhorar. Um tipo de acomodação. E,
acomodação é uma das piores inimigas do amor maior.Vivemos em uma cultura na
qual tudo oferece possibilidades sobre “como deve ser feito”. Televisão,
computadores, informações instantâneas, publicações de auto-ajuda, manuais,
artigos, tudo nos indica caminhos para uma personalidade melhor, um corpo mais
sarado ou mais enxuto, conquistar mais amigos, comer deforma mais saudável,
desenvolver novas capacidades de assimilação, e tantas outras coisas. De certa
forma, temos disponibilidade de informações que nos levariam a tornar-nos
verdadeiros acrobatas sexuais, obtendo prazer em cada gesto, olhar ou toque.E,
a tudo isto, encaramos com naturalidade, nos julgando capazes de desenvolver
novas capacitações e habilidades, como se fossemos uma raça de fácil adaptação
a novas situações e exigências. Porque então, resistirmos à idéia de que
podemos, para nosso bem maior, aprender a amar de forma mais ampla. Nosso mundo
não seria bem melhor se melhores amantes fossemos todos? Se investíssemos neste
fim a mesma intensidade de esforços que investimos em passatempos e tantas
outras coisas menos importantes?
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